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15/10/2014 - 14h23

Coletiva do UFC com Anderson Silva e sua equipe sobre seu retorno.

 
Foto: Alexandre Loureiro - InovaFoto
Legenda: Da esquerda para a direita: Ricardo De La Riva (treinador de jiu-jitsu), Rogerio Camoes (preparador fisico), Anderson Silva, Marcio Tannure (medico e diretor da CABMMA) e Luiz Dorea (treinador de boxe)

Na tarde desta terça-feira, dia 14, o UFC Brasil realizou coletiva de imprensa com o lutador peso médio Anderson Silva e com a equipe de profissionais que acompanhou todo o processo de recuperação do ídolo brasileiro e já cuida de perto dos preparativos para seu esperado retorno no UFC 183, em 31 de janeiro, contra o americano Nick Diaz, em Las Vegas, Estados Unidos.

Mediada pela diretora geral do UFC no Brasil, Grace Tourinho, a coletiva foi realizada no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, e teve transmissão mundial e participação dos fãs de mais de 15 países pelas redes sociais da organização no Brasil.

Confira abaixo declarações da coletiva:

Grace Tourinho (diretora geral do UFC no Brasil)

“Nosso objetivo aqui é marcar historicamente o retorno de Anderson, o maior lutador de MMA, o grande guerreiro, herói nacional. Anderson, seu retorno para a gente faz história. Seja bem-vindo de volta”.

“Anderson representa muito pro UFC. Ele inspira novos atletas. Tenho certeza que hoje teremos uma nova leva de novos atletas mais focados. Esse legado que ele deixa para o esporte poucos conseguem deixar. Isso é o mais importante”.

Anderson Silva (peso médio do UFC)

Confiança – “Os treinos estão sendo legais, estou conseguindo executar os movimentos que fazia no começo, logo que comecei a chutar não estava tendo força, o que é esperado. Mas agora estou fazendo um trabalho específico para recuperar a força na perna, poder chutar sem medo. Tenho certeza que no dia da luta vou estar 100%”.

Aposentadoria – “Os momentos depois da fratura foram muito difíceis. Eu brinco hoje porque tenho que brincar. Mas foram os piores meses da minha vida. Quando caiu minha ficha que a perna tinha quebrado, achei que minha carreira tinha acabado. Fiquei deprimido. Tive todo o apoio do Dana (White), do Lorenzo (Fertitta). Todo esse apoio me deu força para continuar e voltar”.

Lembranças das derrotas – “No começo foi um drama, mas agora já não mais. É como um trabalho comum, em que você tem um dia de trabalho e seu dia não foi bom. E também um pouco de cansaço mental. Estou renovando uma fase da minha vida que passou, foi uma experiência, mas que não vai atrapalhar em nada mais”.

Momento mais marcante após fraturar a perna – “Foi no dia em que cheguei em casa. Quando desci do ônibus que o UFC colocou à disposição para me levar porque eu nem podia viajar de avião. Nunca imaginei que fosse chegar em casa com a perna quebrada, que minha família fosse me ver assim”.

Rotina de treino – “Acordo 7h, corro na praia, que foi cortada agora. Vou para academia e faço o primeiro treino com mestre De La Riva; tenho um break de 40 minutos no máximo; e depois faço treinos específicos. À noite, tenho preparação física com mestre Camões”.

Perna recuperada – “A perna está legal. Me dizem: Pode chutar, que a perna não quebra mais. Vou continuar treinando, focado, e sem a pressão de ter ficado oito anos vencendo. Não enfrento mais isso”.

Confronto com Nick Dias – “A luta com Nick Diaz vai ser boa, ele está numa situação parecida com a minha porque ficou um tempo sem lutar e troca bem. Vai ser uma luta de MMA. E estou treinando para fazer uma luta bonita para os meus fãs”.

Sobre alterar o jogo de solo no treinamento – “Não houve alteração nenhuma. Ramom continua sendo meu treinador. Me sinto seguro por baixo. Tive a humildade de pedir que ele viesse para fazer parte do time e para me ajudar”.

Possíveis provocações na encarada – “Eu sou tranquilo. Mas não gosto de ser desrespeitado como homem nem como atleta. Se ele me desrespeitar, as coisas vão acontecer do jeito que tiverem que acontecer”.

Música – “Entrar com DMX seria muito bacana. Ele é um caro supertalentoso q acabou se perdendo no caminho, mas seria legal. Aquela caminhadinha me deixa nervoso”.

Apoio em casa - “Eles entendem que isso é importante para mim. Eu acho que deixei escapar alguma coisa nas minhas últimas lutas e é isso q estou buscando. E eles estão entendendo”.

Motivação – “Nas últimas lutas estava muito pressionado, não estava fazendo por estar feliz, mas por pressão. Eu me pressionei e isso acabou tirando a vontade de fazer o que eu fazia”. Elogios ao novo Anderson, é mto bom. Lá em casa, ninguém quer lutar.

Apoio dos fãs - “Fico feliz em saber que tem tanta gente torcendo pela minha volta. Tento aprender com os meus erros, não só técnicos, mas também de personalidade. Acho que perdi muita coisa por causa disso e estou tentando aprender”.

Humildade – “No dia a dia, sou um cara humilde. O mais importante é a gente entender o quanto podemos ser melhor no dia seguinte. De certa forma, sendo humilde, foi o que ficou distante de mim por um tempo e que eu estou buscando de novo”.

“Eu devia ter evoluído muito mais. Nas minhas últimas duas lutas, deveria ter feito isso e não fiz. Por isso, agora, trouxe todo mundo para perto: para ver no que podemos melhorar, no que estamos evoluindo e no que não estamos”.

Lutar pelo título – “Eu não mudei de ideia. Na minha equipe temos o Jacaré, tem o Lyoto, o Kalil, que está começando. Temos outros atletas que estão se destacando e nada mais justo que eu, que já passei por esta fase, deixar as pessoas que querem fazer isso com propriedade”.

Cinturão contra o Weidman - “ Nunca falei dos meus adversários, sobre com quem gostaria de lutar. Aprendi desde cedo: você não desafia ninguém, você se credencia. Se eu me credenciar para lutar contra ele, vou lutar. As coisas vão acontecer naturalmente. Mas não lutaria contra o Jacaré, que é meu irmão”.

Contrato – “Eu pretendo fazer todas as minhas lutas”.

Vitor Belfort – “Vitor é, de todos os atletas de peso até 84, o mais completo. Mais explosivo, tem um bom boxe, tem bom jj, bom wrestling. Weidman é novo e está com todo o gás. Estarei torcendo para que o Vitor vença. Sempre disse que o título não era meu, que era do Brasil, era nosso”.

Ronda – “Ela é um fenômeno. O que ela, assim como outros lutadores que foram atletas olímpicos, tem de diferente é o lastro de competição. É diferente lutar contra esses atletas. Eles têm um instinto de competição muito forte”.

Ricardo De La Riva (treinador de jiu-jitsu)

“Fui logo com todas as armas para cima do Anderson e fiquei muito feliz ao ver sua reação. A tendência é aumentar a pressão agora”.

“No primeiro contato, Anderson já me passou todas as lutas do Nick Diaz. Estamos mapeando tudo. Estamos ajustando alguns detalhes”.

“Estamos ajustando umas posições na parte de solo, para ele chegar ao camp preparado para os três meses que vêm pela frente e suportar o momento da luta”.

Rogério Camões (preparador físico)

“Não existe nenhuma dificuldade nessa volta do Anderson, até porque a cabeça dele está muito boa, está muito motivado, a perna está respondendo muito bem. Neste momento, nosso foco é chegar na parte especifica do treinamento”.

“Tem que estar tudo em equilíbrio. Nós trabalhamos em conjunto. De modo geral, estou sempre observando os treinos. O nosso objetivo é exigir demais dessa perna a partir de dezembro. Até dezembro, essa perna tem q estar 100%. Ninguém vai perdoar a perna dele”.

“Agora, o período é de fortalecimento e ganho de força até novembro. Em dezembro, entraremos na parte específica do treinamento voltado para esta luta. Depois, é o momento do condicionamento físico mesmo para ganhar gás”.

Luiz Dórea (treinador de boxe)

“Anderson tem uma condição técnica acima do normal, assimila rápido, está evoluindo a cada treino. Tem boxe de alto nível, bom wrestler, bom jiu-jitsu. Vamos trabalhar para desenvolver sua técnica. A luta com Nick Dias vai ter uma boa parte de trocação, ele vem para cima, é aguerrido, é forte. Mas Anderson tem muito mais velocidade, de punch, consegue levar a essência do boxe para o MMA, sua habilidade natural é muito superior. Vamos ter uma grande vitória”.

“A partir de dezembro, vamos começar o especifico, com os sparring”.

Marcio Tannure (médico e diretor da CABMMA)

“Me lembro como se fosse hoje, fui na ambulância. Esse tipo de fratura pode ter uma lesão vascular, o que seria bem grave. É uma fratura q pode levar 3 meses a 1 ano para consolidar. Ele surpreendeu a todos nós, foi muito mais rápido do que eu esperava. Mas não se trata só de consolidação da fratura, o desequilíbrio muscular é o que vem sendo trabalhado agora”.

“Sobre o Anderson, temos o cuidado normal para sua musculatura, os tendões poderem suportar o treino. A volta é gradual porque ele ficou quase um ano parado. Claro que ele superar o bloqueio mental dele. Eu já falei: ‘Na hora certa, você vai chutar e verá que vai conseguir’”.